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02/09/2013
MATÉRIA: X-MEN - 50 ANOS DE UM FENÔMENO DA FICÇÃO
 
 
Os Fabulosos X-Men
 
 
Estreia dos X-Men originais
 
 
Novos X-Men
 
 
Dias de um Futuro Esquecido
 
 
Um novo gás aos mutantes
 
 
Os filhos do átomo nos cinemas
 
 
 
 


Eles mudaram totalmente a ideia de que ter superpoderes poderia ser uma boa coisa. Diferente da maioria dos super-heróis, os X-Men são temidos e odiados justamente porque têm habilidades super-humanas. Suas histórias em grande parte são uma alegoria sobre a questão racial e também o conflito entre gerações, afinal, os X-Men sempre foram retratados como jovens. A discriminação não é apenas por eles serem uma raça diferente, mas por representarem a ideia do novo, os inevitáveis herdeiros da raça humana. Basicamente temos aqui também uma história de pais vs. filhos.

Muitas pessoas conheceram os X-Men através da telinha da TV, ou em videogames, ou mais recentemente no cinema, onde já estrelaram quatro filmes, além de dois spin-offs do mutante mais popular do bando, Wolverine.

Mas essa trajetória de sucesso começou de maneira obscura nas páginas coloridas das revistas em quadrinhos, há muito, muito tempo atrás, antes mesmo da maioria dos seus fãs sequer ter nascido.

OS AZARÕES DA MARVEL
No começo dos anos 60, uma pequena editora de quadrinhos que trocara de nome de Atlas para Marvel Comics, estava começando a decolar, lançando revistas e personagens como o Quarteto Fantástico, Incrível Hulk, Poderoso Thor, Homem-Aranha, Homem de Ferro, entre vários outros.

Em setembro de 1963, a editora fez uma nova investida, com a primeira edição dos X-Men. Tratava-se de mais uma equipe de super-heróis, na esteira do sucesso que era então o Quarteto Fantástico (o gibi mais vendido da editora até aquele momento). Vendo que o Homem-Aranha e o Tocha Humana caíam nas graças do público por serem adolescentes, Stan Lee resolveu criar uma equipe inteira deles.

Eram cinco estudantes secundaristas, numa “escola especial”, onde o diretor era um aleijado numa cadeira de rodas, o Professor Charles Xavier. Mas por trás da fachada da escola, na verdade os estudantes eram super-heróis e, mais do que isso, eram “mutantes”, ou seja, seres nascidos com habilidades diferentes dos seres humanos normais. Além de uma explicação pseudocientífica para seus poderes, o fato de serem mutantes também gerava o tema principal da série, que era a razão de ser do grupo: combaterem outros mutantes “malignos” que eram ameaças à humanidade. Por causa de seus poderes os mutantes eram temidos e até odiados pelos humanos (Stan Lee havia passado a desenvolver o conceito que seres poderosos causariam medo nas pessoas comuns em O Incrível Hulk e no Homem-Aranha, e levou isso ao extremo em X-Men). Ironicamente, a ideia de usar o conceito científico da mutação como origem dos poderes só apareceu, como o próprio Stan confessou, porque ele não conseguia mais bolar acidentes mirabolantes como os que deram poderes para o Quarteto, Homem-Aranha e o Hulk, para citar alguns. Dessa “preguiça” criativa acabou nascendo a temática da série, e justamente aquilo que a tornaria diferente de todos os gibis de super-heróis dali em diante.

Os X-Men originais eram Scott Summers, o Ciclope; Warren Worthington III, o Anjo; Hank McCoy, o Fera; Bobby Drake, o Homem de Gelo; e Jean Grey, a Garota Marvel. O próprio Xavier tinha poderes, era um telepata, e atendia pela alcunha de Professor X (por isso X-Men). Logo na primeira edição eles combatem o supervilão Magneto, que poucos números depois criaria a Irmandade de Mutantes, para contrapor com a equipe de Xavier.

Diferente dos outros sucessos da Marvel, X-Men não emplacou de cara. Sua revista se bancava, mas com o passar dos anos, nem isso. Stan Lee passou o bastão para o roteirista Roy Thomas em 1966, e esse implantou mudanças tais como matar o Professor X, uniformes mais coloridos para o time, além de dois novos membros, Destrutor (Alex Summers, irmão de Ciclope) e Polaris (Lorna Dane, uma das filhas do próprio Magneto).

Mas nem a revolucionária arte do então badalado Neal Adams em 1969 (fase onde o Professor X voltou), conseguiu salvar a revista do cancelamento. Talvez os X-Men fossem muito à frente do seu tempo. Homem-Aranha e Hulk com certeza eram histórias com bastante carga dramática, mas X-Men era drama quase todo o tempo. Fora que justamente nos anos 60, a América discutia os direitos civis, e os leitores de quadrinhos eram na sua maioria garotos brancos de classe média. Talvez eles não estivessem prontos para uma equipe que podia muito bem ser uma metáfora para a luta dos negros.

Seja como for, nos anos seguintes, a revista dos X-Men só continuou - de forma bimestral - republicando histórias antigas. De vez em quando o Professor X e seus alunos faziam participações especiais em outras revistas da Marvel. O Fera inclusive passou a estrelar uma série curta numa revista chamada Amazing Adventures, onde adquiriu nova aparência e mais tarde se tornou membro dos Vingadores, a principal equipe de heróis da casa.

OS NOVOS X-MEN
A grande virada se deu em 1975. Nos anos 70 a Marvel começou a lançar revistas chamadas Giant Size (tamanho gigante), que tinham muitas páginas, onde se republicavam histórias antigas, e também pelo menos uma história inédita, para atrair os leitores veteranos.

Os X-Men então ganharam uma edição Giant Size, e pela primeira vez em muito tempo uma história inédita. O editor Len Wein resolveu aproveitar a oportunidade para lançar uma nova equipe de X-Men, já que a antiga nunca tinha dado muito certo mesmo. Com a colaboração do desenhista Dave Cockrum, que bolou o visual dos novos personagens, uma das principais características desse grupo era seu caráter multiétnico e internacional.

Enquanto os X-Men originais eram todos brancos e norte-americanos, diversidade era a nova ordem nesse grupo. Representando a África, Ororo Munroe, a Tempestade; da União Soviética, Piotr Rasputin, o Colossus; da Alemanha, Kurt Wagner, o Noturno; do Japão, Solaris; da Irlanda, Banshee; dos Estados Unidos, um legítimo nativo-americano, um índio sioux, Pássaro Trovejante; e completando a equipe, um tal de Wolverine, que Len Wein havia criado como personagem coadjuvante para algumas histórias do Hulk, quando o monstro verde invadiu o Canadá e teve que encarar o super-herói de lá.

Dos antigos X-Men, só ficaria mesmo Ciclope, como líder do novo grupo. Giant Size X-Men #1 foi um sucesso inesperado, e no ano de 1976, a Marvel resolveu dar continuidade a antiga revista, que a partir do número 94, passou a trazer histórias inéditas já com a nova equipe. Logo de cara, Solaris deixou o bando, por eleger a defesa do Japão sua prioridade (a sede dos X-Men continuava sendo nos EUA). Para escrever as histórias do novo grupo, o editor Len Wein deu o emprego para um autor novato que estava despertando a atenção escrevendo histórias do Punho de Ferro e Marvel Team-Up (revista de parceria do Homem-Aranha com outros heróis da Marvel), um certo Chris Claremont.

Para mostrar que não estava para brincadeira, logo na segunda história, o Pássaro Trovejante morre em combate. Naquela época isso não era muito comum em gibis de super-heróis. Era uma forma de dizer aos leitores que tudo podia acontecer. O senso de drama, tragédia e perigo da revista logo começou a conquistar mais e mais leitores. De patinhos feios da Marvel, sem terem a ajuda de nenhum desenho animado, linha de bonecos, nem nada do tipo, sua revista foi galgando graus cada vez mais altos nas vendas.

No entanto, a “apoteose” viria a partir de 1978, quando o inglês, radicado no Canadá, John Byrne assumiu os desenhos no lugar de Cockrum. Parceiro de Claremont em outras revistas, Byrne além de desenhar, também colaborava na criação das histórias. É dessa dupla a fase mais clássica da equipe, considerada como a melhor dos mutantes. Histórias inesquecíveis como A Saga da Fênix Negra e Dias de Um Futuro Esquecido são desse período.

Jean Grey volta para a equipe, no lugar de Banshee, que perde os poderes, tão somente para se tornar mais e mais poderosa, até perder totalmente o controle da sua personalidade, e se tornar uma supervilã. Concluindo que sua existência era um risco a humanidade, Jean corajosamente se suicida, num dos momentos mais dramáticos das histórias em quadrinhos. Como consequência, Ciclope acaba deixando a equipe, o que abriria as portas para a inclusão de outra mutante, a jovem Kitty Pryde, que viria a se tornar a “musa” de muitos adolescentes nerds nos anos 80. Mantendo o caráter “multiétnico” da revista, aliás, Kitty Pride foi o primeiro membro judeu dos X-Men (e uma das primeiras super-heroínas judias dos quadrinhos que se tem notícia).

Devido às diferenças criativas, Byrne deixou a revista, mas seu trabalho já estava feito: X-Men havia se tornado a revista em quadrinhos mais vendida dos Estados Unidos. Sob a batuta do escritor Chris Claremont, um time de vários desenhistas populares se sucedeu ao longo dos anos, mantendo o interesse dos leitores vivo, sempre com novas tramas, reviravoltas e personagens. Anos depois, Claremont disse que o segredo dos X-Men era “nunca deixar nada parado”. Enquanto muitos gibis teimavam em manter o “status quo” (ou seja, os personagens e cenários sempre os mesmos a cada edição), tudo estava sempre mudando nos X-Men.

Nenhum leitor se atrevia a perder nenhuma edição, porque qualquer coisa poderia acontecer. E acontecia mesmo. Membros morrem, membros saem, outros entram, heróis viram vilões, vilões viram heróis, e ainda que muitos leitores brinquem dizendo que as histórias viraram uma “X-salada”, talvez justamente por isso sempre vendessem mais do que as outras.

FENÔMENO POP
No início dos anos 90, a entrada de um novo desenhista viria a dar novo gás aos mutantes: Jim Lee. O americano-coreano havia chamado atenção dos editores desenhando o Justiceiro, e logo foi realocado para a principal revista da Marvel. Nos anos 80 o sucesso dos mutantes era tal que já havia gerado vários spin-offs (séries derivadas): Novos Mutantes (com uma nova equipe de alunos adolescentes do Professor Xavier, já que os X-Men não eram mais tão jovens); X-Factor (uma equipe formada pelos X-men originais); e Excalibur (uma equipe com base na Inglaterra, formada por remanescentes dos X-Men que haviam deixado a equipe, no caso Kitty Pryde, Noturno, e Rachel Summers - a filha de Ciclope e Jean Grey de um futuro alternativo - além dos ingleses Meggan e Capitão Britânia). Também vale lembrar que Wolverine ganhou sua revista solo, onde vivia aventuras sozinho, longe dos demais X-Men.

Tudo vendia muito bem, é claro. Claremont decidira trazer os X-Men originais (o X-Factor) de volta para a equipe original. Surgiria daí um novo X-Factor (formado por mais remanescentes dos X-Men e outros aliados, com a diferença que era uma equipe de mutantes oficial, comandada pelo governo norte-americano). Mesmo assim, havia tantos X-Men, que os editores acharam que se uma revista de X-Men vendia, duas poderiam vender muito mais.

Assim haveria uma equipe dourada e outra azul, cada uma numa revista mensal. Enquanto a revista original se chamava Uncanny X-Men, a nova seria simplesmente X-Men. O número 1, lançado em agosto de 1991, se tornou a revista em quadrinhos mais vendida da história, com 8 milhões de exemplares vendidos! Até hoje esse recorde não foi batido - e jamais será, haja vista a queda das tiragens com o passar dos anos.

Esse fenômeno de vendas chamou a atenção dos produtores de TV, e assim apareceu a tão famosa série animada dos X-Men nos anos 90. O desenho foi responsável por criar toda uma geração de fãs e estender a fama dos X-Men além dos leitores de quadrinhos.

Mas não ficou só nisso, afinal os anos 90 também foram os anos da explosão dos videogames. Os X-Men estrelaram vários jogos, especialmente Wolverine, que deu as caras nos sucessos dos arcades, Marvel Super Heroes e Marvel vs. Capcom. Como consequência, os X-Men também viraram brinquedos, e assim passaram a ser heróis tão conhecidos como Batman, Superman ou o Homem-Aranha.

NO CINEMA E LEVADOS A SÉRIO
Foi de forma bem discreta que no ano 2000 começou a se produzir o primeiro filme dos X-Men. Não foi uma superprodução milionária, nem nenhum superstar estava envolvido. O diretor era praticamente um desconhecido, chamado Bryan Singer, que havia chamado a atenção com películas sérias como Os Suspeitos e O Aprendiz.

Mas Singer se levava a sério, e se aceitou dirigir um filme dos X-Men, conforme ele mesmo conta, foi porque viu ali uma chance de fazer uma história sobre discriminação. Homossexual assumido era esse o ponto em que Singer se identificava com os mutantes.

Quando Hale Berry assinou o contrato para viver Tempestade, não havia ganhado um Oscar ainda, e ninguém poderia dizer que seria uma estrela. Os mais famosos no elenco, de fato, eram Patrick Stewart (o Capitão Picard de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração) como Professor X e Ian Mckellen, indicado ao Oscar por Deuses & Monstros, como Magneto. No papel de Wolverine, o verdadeiro protagonista do filme, um desconhecido ator australiano chamado Hugh Jackman.

Lançado em 2000, o filme estourou nas bilheterias, e de certa forma, junto de Blade, deu início a febre dos filmes baseados em super-heróis dos quadrinhos. Foi graças ao sucesso de X-Men que os estúdios passaram a acreditar mais no gênero, e surgiram outros sucessos como Homem-Aranha, Batman Begins e Homem de Ferro, só para citar alguns. O próprio Singer mais tarde foi contratado para levar o Superman de volta às telas do cinema, mas o resultado foi um fiasco, Superman: O Retorno, em 2006.

Embora a qualidade das adaptações seja controversa (os fãs mais radicais defendem a ideia que nenhum dos filmes chega aos pés dos maiores clássicos da equipe nos quadrinhos), o sucesso comercial deles é inegável, e grande responsável pela popularidade que os mutantes têm hoje, conquistando inclusive novos leitores para os quadrinhos.

Nos gibis, embora tenham perdido o posto entre as revistas mais vendidas da Marvel para os Vingadores, a franquia continua lucrativa. São várias equipes de X-Men. A muitas vezes destruída Mansão Xavier se tornou pequena para acomodar tantos mutantes, levando eles a se mudarem para San Francisco por um tempo e habitarem uma ilha inteira na costa daquele município.

Wolverine, elevado à condição de um dos mais populares personagens da Marvel, se equiparando ao Homem-Aranha, possui também diversas revistas mensais, além de figurar em outras equipes além dos X-Men (como os Vingadores, por exemplo). De fato, os Vingadores só passaram a ser a revista mais vendida da Marvel quando o Homem-Aranha e Wolverine passaram a integrar a equipe, vale lembrar.

Passados 50 anos da sua criação, o certo é que muita água ainda há de correr debaixo da ponte dos X-Men. Afinal, mutação é a palavra chave na trajetória de sucesso dos pupilos do Professor Xavier.

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